Jongo, oficinas, show e apresentações acadêmicas celebraram o oferecimento da disciplina “Racismos e Fundamentalismos na Era da Iconomia”, encerrando o semestre acadêmico entre os dias 18 e 19 de junho de 2026 na Casa de Cultura Japonesa (FFLCH/USP) e lançando o projeto UAIFAI Quilombola.
De leituras de Fanon à oficina sobre vocábulos da língua materna dos indígenas Pankará, roda de conversa e vivência de jongo e yoga africana, propostas de pesquisa e organização quilombola, o evento confirmou o vigor da rede que anima o projeto UAIFAI Quilombola, por sua vez um desdobramento do projeto-piloto “Quilombo Inteligente”, que entre 2024 e 2026 integrou em parceria estratégica a Agência Universitária da Francofonia (AUF), o Instituto de Estudos Avançados da USP, o Museu das Favelas, o Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades (PPGHDL-FFLCH-USP) e o Núcleo de Pesquisa Diversitas.
O evento foi palco também da implementação das “Moedas da Paz”, modelo inovador de moeda social desenvolvida na fronteira da Web3 e voltada à transformação apoiada na blockchain, com a presença de seu criador, Ryoichi Abe. O “paper” relatando a experiência recebeu, uma semana antes, uma premiação na conferência internacional RAMICS Rio, a principal rede de pesquisa sobre moedas sociais e complementares, cujo evento aconteceu na FGV-RJ.

O evento colocou à prova as parcerias, estimulou o compartilhamento de saberes e práticas, motivou a construção de novos projetos e celebrou as lutas contra os racismos, fundamentalismos e intolerâncias. Acolheu parcerias estratégicas como a Galeria Preta do Rio de Janeiro, com curadoria do Griô Visitante Nelson Crisóstomo e o Museu das Favelas, que promoveu visitas à exposição que celebrou o centenário de Frantz Fanon. A disciplina de pós-graduação, com pedagogia inovadora e oferecida de forma remota ao longo de quatro meses, recebeu 2 mil inscrições de alunos ouvintes de 186 municípios em todo o Brasil (e algumas participações do exterior). Os resultados de quase três anos de atividades estão registrados em sites.usp.br/quilombointeligente.
Os objetivos foram cumpridos integralmente e ainda abriram novos horizontes tanto na USP quanto entre pesquisadores e organizações externas à universidade. Uma experiência pedagógica inédita em que a tecnologia foi posta a serviço da discussão dos trabalhos de pesquisa e de elaborações inspiradas na disciplina “Racismos e Fundamentalismos na Era da Iconomia”, oferecida pelo PPGHDL-FFLCH-USP sob a coordenação de Gilson Schwartz, Nelson Crisóstomo e Pri Fenics. Entre as novas parcerias destacam-se o Instituto D’Luxo, sob a liderança de Danielli Pimentel e localizada na favela São Remo.

Ao longo dos dois dias, participantes da disciplina (regulares, especiais e ouvintes) compartilharam perspectivas críticas diversas e complementares frente aos racismos, fundamentalismos, colonialismos digitais, resistências e caminhos possíveis frente ao cenário atual da arte, da educação e da iconomia.
O encerramento no dia 19 colocou nossos corpos em movimento em oficina idealizada por Regina Santos Buntu, aproximando o jongo da yoga africana na encruzilhada de “Corpo e Ankhcestralidade” mostrando na prática o potencial das tecnologias africanas de saúde, re-existência e enfrentamento à colonialidade, com a participação dos Candongueiros do Campo Limpo.

Seguiremos no segundo semestre mobilizando nossa comunidade emergente para a construção de pontes entre a universidade, os territórios quilombolas e indígenas no desenvolvimento local e no exercício concreto da inovação que busca a construção colaborativa de conhecimento. O exercício colaborativo seguirá focado na construção de redes híbridas, físicas e digitais, locais e globais.
Por Gilson Schwartz e Livia Marciano